Nesses dois últimos finais de semana tivemos no Meia Noite a chance de recordar uma sensação muito boa - a de tirar dez numa prova, tipo aquelas da escola. Não é comum conseguir vencer todas as regatas numa série. Sempre tem um bordinho errado, uma largada mais ou menos, uma coisa que quebra, ter que dar uma água na hora errada... mas desta vez deu tudo certo mesmo pra gente.
Alguém me perguntou "- o que foi mais importante?". O grande destaque, na minha opinião, foi o trabalho dos meus proeiros, que embora nunca tivessem velejado juntos antes, formaram um time perfeito. Técnica, seriedade, disposição, bom humor, aconteceu no Meia Noite uma química rara de se ver e que se traduziu em inevitáveis seis vitórias seguidas. Ao Marcelão, ao Paulinho e ao Maurício os meus parabéns e muito obrigado pelos dois finais de semana perfeitos. Dá gosto de correr com uma turma dessas.
As regatas.
Ontem (sábado) tivemos duas, matando a saudade do leste em Niterói.
É um vento meio improvável, pois vem descendo do morro, e portanto sujeito a rondadas e rajadas bizarras. Mas sopra, e dá esquerda na maioria das vezes.
O Alcino colocou a linha justa na primeira largada do dia, mas a uns 40s do tiro deu uma daquelas torcidas típicas, bem a tempo de me permitir escapar do salseiro que se formava perto da CR e dar uma largada limpa pros lados da bóia. Beleza, já que era esquerda mesmo...
O Samuel nos acompanhou na largada e foi mais esperto, cambando um pouco antes de nós. Como o vento deu uma caída maior do que eu esperava no estirão pra direita, ele ficou com a mão por cima, me obrigando a dar uma "na lata" dele na final pra bóia.
Montamos a primeira bóia na frente e abrimos um caminhão da galera. Pura manobra.
No segundo contravento parecia tudo tranquilo, o Samuel em segundo "guardado" a sota... e aí Niterói virou Brasília. Caraca, o Mazal pela direita e o Escola Naval pela esquerda pegaram uma espírita de cada lado nos passaram, levando o Antenor (Mastership) com eles. Tinha uma rajada ali, na nossa frente, 50m bem a barla. Tinha uma linha sem vento a uns 100m na proa e uma "morrida" pra trás a barla. Pois foi de lá que os caras vieram, a toda, ambos com proa alta, e a gente no meio. Eu optei por dar uma curtinha pra cima, "muita calma nessa hora!", e realizar pro Mazal, que era quem estava mais perto no campeonato. Rodamos a boia atrás do Escola Naval. O Samuel logo atrás, perto. Demos uma estilingada nos aproximando do Jaçanan, que estava com o grande caçado demais. Só que ele estava entre eu e a linha, mais lento, e o Samuel vinha crescendo atrás, também pressionado pelo Mazal e pelo Antenor. Aí eu dei um toque no Martins: "aí, negão, folga esse grande e anda que os caras vão cobrir a gente!" E ele respondeu: "fica frio, eu não vou te atrapalhar. Eu bati na bóia lá atrás e já vou pagar...". Aí eu falei: "pô, cara, paga logo e sai daí, meu! Batida na bóia a gente paga na hora!". Acho que ele entendeu o recado, orçou, subiu a genoa e pagou o seu 360º - sabe-se lá como - sem arriar o balão. A gente vê cada uma...
A parte boa dessa estória foi que ficamos em primeiro...
Como sempre lembra um amigo meu, "sem sorte a gente não chupa nem um chicabon..."
Pra segunda regata o vento firmou de leste. Aí é que foi carrosel mesmo. Largada bóia e fomos pra esquerda, um-dois sem inventar. O Martins ficou em segundo e o Samuel em terceiro. Sem incidentes, vento maneiro - embora rajado e rondado - uma regata enfim sem muitas surpresas.
Pena que duas classes (R22 e V22, esta largando 5-10 min depois) implicam em um intervalo de tempo muito grande entre as regatas, tem que esperar todos os "maneiros" de ambas as classes e a tarde já ia longe. Senão teria dado facilmente pra fazer mais uma. Bom, 5x0, querer mais o que?
No clube, chope, as gozações de praxe, uns estressados preenchendo protestos, uma mesa grande. Tudo de bom.
Uma sauninha depois do chope pra limpar os poros, um prato veleiro no jantar e lá pelas seis da manhã eu já estava acordado de novo. Um frio danado, uma garoa paulistana, o morro coberto por uma nuvem espessa, um sudoeste moderado. Dei uma caminhada pelo clube - deserto, àquela hora - fazendo as inevitáveis contas de cabeça. Precisávamos de um oitavo em uma das duas regatas pra fechar o jogo. Nada mau.
Voltei pra cama e dormi até umas nove da manhã, tranquilo. Esse esquema de alojamento no clube é bom demais, dá pra dormir até mais tarde e está tudo ali pertinho, não sei porque tão pouca gente fez isso. E o alojamento (quer dizer hotel) do Naval é bom demais. Vale muito a pena.
Sexta regata, vento sul firme. Direita!
Antes da largada estávamos combinando que íamos correr uma regata de segurança, sem nos metermos em encrencas, longe de confusão, pois precisávamos praticamente "chegar" que estaria tudo resolvido. E nessa de relax largamos mal às pampas, encaixotados pelo Hector e pelo Jacamin, valuma pra todo lado. Deixei o barco meio lento, esperando um buraco na fila pra cambarmos "pra boa" e eis que o Lauro, que também estava meio mal, foi, passou numa brecha atrás do Rigel e lá fomos nós, os terceiros a cambar pras diretas (o Antenor veio logo abaixo da gente).
Caraca. Como um milagre, aquele monte de valumas que nos sufocavam prosseguiram mais um bocado e nos deixaram com o vento livre. Aí foi a hora daquela caprichada básica na tocada e na trimagem e já chegamos na bóia de cima em segundo, por sota do Mazal, mas levados por uma rondada incrível que nos deu altura suficiente pra passar pela bóia.
Quer dizer, quase passar. A gente entrou meio estolado pra montar a marca, e dei uma bela arrastada na bóia com o quarto de trás do barco. Nem discuti, vinha uma multidão enfurecida atrás e mandei parar a subida do balão porque íamos pagar. Sim, pagar com balão em cima é uma arte que só o pessoal da Escola Naval parece dominar a ponto de tentar fazer em regata, e por via das dúvida, me afastei um pouco da bóia e paguei o meu 360º rapidinho, logo na frente do Tolentino.
Joguei pra esquerda - vento torto, de novo! - e quando o balão encheu... estávamos em primeiro de novo.
Não sei o que deu no Mazal, mas o fato é que o barco verdinho mais uma vez montou a bóia, escorregou pra direita e se atolou lá de novo, com uma boa parte dos outros barcos. Só o Hector e um outro barco (acho que o Jaçanan) vieram comigo pra esquerda no início da perna. Mas depois rolou uma rondada, e achamos mais prudente dar uma "policial" no bolo. O Hector, esticou demais, se afundou no corner da esquerda e lá ficamos nós, solitários, na frente.
Arriamos o balão bem cedo e rodamos a marca da esquerda passando LONGE da bóia desta vez.
Bordo da direita, cambamos até um pouco antes do que na perna anterior pra acompanharmos o resto relevante da flotilha e ganhamos de brinde uma versão turbo daquela rondada perto da bóia. Passamos a uns 20m da bóia de barla pra não dar chance pro azar e fizemos uma última perna regada a cerveja, devidamente registrada pelo Fred, que veio com o Flavio no botinho nos fazer companhia. O resto da regata vinha longe...
6x0. Octacampeão estadual.
Caramba, não dá pra querer qualquer coisa a mais.
Se valeu? Valeu, valeu muito.
O Clube Naval fez um campeonato impecável, provando mais uma vez que junto com o ICRJ é o grande clube de Vela da Baía de Guanabara. A CR, sob o comando do Alcino e da Márcia, esteve perfeita - embora preferisse que o Alcino estivesse na raia ao invés da CR, certamente as regatas teriam sido mais difíceis contra ele.
A Classe compareceu em bom número - são poucas as classes no Rio que botam 17 barcos (quase 80 velejadores) no seu estadual. E olha que faltou gente fundamental, que não costuma perder campeonatos. Só pra citar alguns, Catraio, Marochka, Hórus, Vagabundo, Idéfix, Tango Bravo, Mandinga, Frednético, Aty-Aty...
Por outro lado foi legal ver quatro barcos da Marinha na raia, o Radiance, o Xukrut de dono novo, o Haddad e seu time de futebol, o Gomensoro - mesmo abandonado pelos filhos. A Marta andando bem, o Mazal dando trabalho, o Set Point de sangue novo, o Antenor segurando na raça a falta do Miguel, os irmãos Masuda - a Hana com o Lauro, o Claudio com o Jean - o Tolentino bem na tabela, o Edgar investindo de velinha nova... quem não foi perdeu.
Seguem a súmula a algumas fotos do Fred, tudo tirado do site do Naval.
E até terça, na entrega de prêmios.
Bons Ventos,
Eduardo
Meia Noite II - RJ

26/08
DOMINGO CHEIO DE EXPECTATIVAS
TRIPULAÇÃO DO LEVIATAN QUER TERMINAR O DIA EM PRIMEIRO LUGAR
Contando com um excelente desempenho nas regatas realizadas no sábado, a tripulação do barco Leviatan quer terminar o domingo na liderança do Estadual de Velamar 22. Eles esperam ventos entre oito e dez nós e não querem repetir os erros que aconteceram na segunda regata de ontem. “Terminamos a primeira regata na quarta colocação. Na segunda regata, largamos muito bem, mas pequenos erros na abertura da vela balão prejudicaram nossa colocação”, disse Elimar Bittar, secretário do barco.
Eles também elogiaram o churrasco de confraternização realizado ontem. “Hoje vamos entrar pra vencer”, afirmou Bittar.
A tripulação do Leviatan é formada por Elmo Freire (timoneiro), Elimar Bittar (secretário), Danilo Dagnino (tático) e Randolpho Figueiredo (proeiro).

Randolpho, Bittar e Elmo na preparação do Leviatan
VELEJADOR DESTACA EQUILIBRIO NA VELAMAR 22
O velejador Luiz Villela ressaltou o equilíbrio no primeiro dia de competição e acredita que hoje será um dia de ventos fracos. O tripulante do barco Catavento, Villela, fez questão de enfocar as excelentes condições do Estadual. “Ontem, tivemos um maravilhoso churrasco de confraternização”, disse o velejador. Ele também acredita que o campeonato está aberto, e que ainda não existe um favorito. O equilíbrio e qualidade de todos os velejadores podem fazer aparecer boas surpresas na classificação geral. Treze barcos estão inscritos na Velamar 22.
GALERA DO SET POINT QUER SURPREENDER VETERANOS
A turma do barco Set Point surpreendeu nas duas regatas realizadas e a expectativa para o dia de hoje é superar os veteranos da classe Ranger 22. Segundo Samuel Gonçalves, tem muita gente na classe Ranger que veleja a mais de vinte anos e o objetivo é chegar junto. “Na regata de hoje nosso objetivo é fazer o melhor para superar o barco do favorito Eduardo Mendes. É muito difícil passar o barco dele”, disse Samuel. A tripulação do Set Point, formada por integrantes do Projeto Grael, está treinando a cerca de um mês. “Tem gente no barco que veleja há pouco tempo (um ano). O desafio é muito grande”, disse o velejador do barco que conseguiu duas terceiras colocações no primeiro dia de regatas. A galera do Set Point recebeu três apoios para participar do Estadual, da loja Men Cap’s, material esportivo, EO, fabricante de pranchas e do Clube Naval Charitas. Samuel Gonçalves, timoneiro, Alex Sandro Matos de Carvalho, regulagem de vela, Radson de Souza, secretário e Thiago Coutinho, proeiro formam a jovem e promissora tripulação do Set Point.
_____________________________________________________________________________________
25/08
:: COMEÇA O ESTADUAL DE RANGER 22 E VELAMAR 22
O Clube Naval Charitas deu início nesta manhã a uma verdadeira maratona de regatas. O estadual de Ranger 22 e Velamar 22 é a primeira competição de um total de oito que serão realizadas no Clube, no segundo semestre de 2007. Os barcos foram para água por volta das 13h, mas devido a falta de vento as regatas começaram às 14h30.
Ao todo foram realizadas duas regatas por classe e a previsão da Comissão é de que amanhã (domingo) ocorram mais três. Vale lembrar que ao todo sete regatas devem ser realizadas para validar o campeonato estadual.
:: NA CLASSE RANGER, BARCO MEIA-NOITE FOI O DESTAQUE
O barco Meia-noite foi o grande destaque do dia na Classe ranger 22, ao faturar as duas regatas realizadas. De acordo com o Comandante do barco, o velejador Eduardo Mendes, o vento rondado prejudicou um pouco o desempenho de sua tripulação. “A primeira regata foi bem tranqüila, mas na segunda tivemos que fazer uma prova de recuperação pois o vento foi ficando fraco”. A tripulação é formada por Marcelo Duval, Maurício Dourado, Paulo Sérgio Reis e Eduardo Mendes. A expectativa dos velejadores é de que amanhã o vento esteja melhor e que eles possam repetir o sucesso de hoje.
:: CLASSE VELAMAR TEM DISPUTA ACIRRADA
A briga está boa na classe Velamar 22. Os barcos Picareta e Dona Zezé foram os destaques no dia de hoje. A primeira regata foi vencida pela tripulação do Dona Zezé, que fez questão de ressaltar o alto nível técnico da disputa. “A briga foi limpa e esperamos que amanhã isso se repita. O campeonato está muito equilibrado”, afirmou o velejador Marcelo Gilaberte, presidente da classe.
Já a tripulação do barco Picareta, vencedor da segunda regata, foi alvo de um dos fatos mais inusitados desta competição até o momento. Eles adotaram a seguinte superstição: jogue uma moeda no mar e o vento virá. E realmente deu certo... Segundo o Comandante do barco Leonardo Morcegão (como é carinhosamente chamado pelos colegas) um dos integrantes da equipe sempre adota esta política para chamar o vento durante a competição. “Começamos muito nervosos, mas depois o pessoal foi se soltando e aí conseguimos um bom resultado. A brincadeira da moeda deu uma descontraída”, explicou.
Neste domingo tem mais regatas. Acompanhe aqui no site as principais notícias.
Amigos Velejadores 22/08